Voltar

                                Cinema  na Cidade de  Osório - RS   

 


Cine   Labor

Nota:  Maiores detalhes sobre a história do Cine Labor podem ser conseguidos no livro  Raízes de Osório, ed. de 2004, pgs. 504-507 (conforme depoimento de Laboriou Silveira D'Avila).

Conforme se viu  no item  Cronologia dos Fatos (1927 - 1965) o Cine Labor  se chamava inicialmente Cine Electon (ou Elekton). Era um  prédio de madeira   localizado na rua Júlio de Castilhos, no trecho  entre as ruas Machado de Assis e Major João Marques, em frente à  Praça da Conceição . Após melhoramentos feitos em  1952,  com a aquisição de novos equipamentos de projeção, o  cinema passou a se chamar  Cine   Labor, em homenagem aos filhos da proprietária  (a viúva Adelaide C. J. DÁvila), chamados  Laboriou e Labori.  A  Sra.  Adelaide  também  era a proprietária  da Farmácia Caridade na mesma rua,  bem perto do cinema,    na  qual   atendia junto com os filhos e com o funcionário João Francisco Cesar (Titu).   Maiores detalhes  desse  cinema  (Electon e  Labor) podem ser obtidos no livro indicado acima.  Nota:  Na foto abaixo, que mostra uma procissão na cidade, ao fundo aparece o  prédio de madeira do cinema.

Procissão na R. Machado de Assis, em Osório (Foto dos anos 40).

  

Cinema Antigo  (Prédio de Madeira)

Pelo que me consta,   neste cinema  não havia  palco. A tela  ficava   um pouco elevada   em relação  ao nivel do assoalho, mas  um tanto    perto das   cadeiras da 1a. fila.   As  cadeiras  eram de  madeira com assento  de   palha.   As cadeiras   estavam distribuidas em 2 ou 3  setores  com corredores no meio.  Havia  uma  escadaria de madeira no interior, no   lado direito  do prédio  que   levava  até a   sala de projeção que,  além do  projetor de filmes,  havia  uma mesa para  cortar e emendar os filmes e   um toca-disco para discos de 78 rpm que reproduzia  musicas e avisos para o interior do cinema.  

Segundo depoimento de Nage Mamed, inicialmente  só havia sessões aos sábados e domingos.  Depois de uma certa época,  começou a ter sessões as 4as. feiras.  E mais adiante,  as sessões passaram  a ser  diárias,  com o mesmo  filme passando em   2 dias  consecutivos ou repetindo, na mesma semana, em dias intercalados.

Trabalharam nesse cinema, nos anos 50,  as seguintes pessoas:  Na projeção de  filmes,  o  "Chico"  (da fábrica de café), Telmo Rodrigues,  Sinval Marques, Nage Mamed e  Décio  Bastos.  Francisco Terra da Silva (Chico  Bolão)  e Nage Mamed faziam (ou  desenhavam)  os letreiros  dos  cartazes que iam ser colocados na frente do cinema  ou serem  levados a  pontos  da cidade, como a  estação rodoviária.  Na portaria  ficava  o  "Dozo".  Nota:   O autor desta Página, quando ainda era  menino,  para ganhar um ingresso grátis a noite,  ia  de  manhã ou de tarde, depois das aulas,  no prédio   do cinema   para  arrumar  as cadeiras de palha (vistos que  não eram   fixadas no  assoalho);  varrer  o  salão  e   levava    os cartazes de propaganda  dos filmes  até  a   estação rodoviária (de Alexandre Renda), ponto de bastante afluência de público. 

Os filmes  chegavam   de  Porto Alegre   inicialmente  pelos ônibus  da  Empresa Jaeger.  Essa empresa era a que tinha a concessão de transporte de passageiros  entre Porto Alegre  e as cidades  do litoral norte desde os anos 40.  Em  fins dos anos 50, a concessão  passou para a  empresa Santos Dumont e no final dos  anos 60 para a Unesul. Os filmes vinham no compartimento  de  bagagens  em latas  metálicas  cilíndricas   medindo uns 30  cm de altura por uns 40 cm de diâmetro (lata deitada). Cada  uma  dessas  latas possuía no seu interior   várias  bobinas,  cada uma delas com um trecho  do filme.   Ver imagem abaixo que mostra um tipo dessas  latas (com 8  faces).  Outras latas  eram completamente cilíndricas, não tendo  faces como  as  indicadas abaixo.   Da estação rodoviária,    as  latas   eram   transportadas por um adulto até  o  cinema  por  carrinho de mão visto que o cinema ficava perto (2 quadras)  da estação rodoviária.  Nota:   Ninguem  poderia  imaginar  que  50 anos depois,  esse mesmo filme, que vinha dentro de 3 ou 4  latas,   iria  ser  formatado de tal maneira   que poderia caber  em um simples disco de  12 cm de diâmetro (os nossos conhecidos DVDs) para ser visto em um televisor (ou monitor de computador)  dentro de nossas casas.

Latas de transporte de filmes

 

Antes do inicio dos filmes, enquanto os assistentes iam  chegando,  era  ouvida  música  em baixa altura, geralmente  orquestral.  Entre as que tocavam, me recordo de    Noites Nos Jardins  da  Espanha   e  Fumaça  em   Teus   Olhos (Smoke Gets in Your Eyes).     A cortina  em frente à  tela era  composta por duas partes.  Havia um momento  em que tocava-se   música bem conhecida  (que era o timbre musical) indicativo do inicio da sessão. Então  retraiam-se   as cortinas e as luzes eram apagadas paulatinamente.  As sessões eram iniciadas  por um  jornal  de   notícias (noticiário). Pelo que me consta,  o  mais  conhecido, o   Atualidades Francesas,   já era apresentado nesse prédio de madeira  e continuou depois no prédio novo. 

Geralmente a sequência de filmes em uma sessão  era a seguinte: 1) um jornal de noticias, 2)  um desenho (Pato Donald, Tom e Jerry, etc.), 3)  um ou  mais "trailers"  de  filmes  e   4) o filme do dia.  As vezes, passava  um filme de curta-metragem (um "short",   como se chamava) entre  a sequência 3 e 4.   Quando  o filme  arrebentava  durante a sessão, as  lâmpadas se acendiam e   fazia-se um intervalo (5 a 10 minutos) até o projetista  recortar, colar  e rebobinar o filme.  Nessas ocasiões, os fumantes aproveitavam  para sair e   fumar no saguão; os "baleiros"  apareciam  vendendo   balas de goma ou as conhecidas  "azedinhas"  da  Neugebauer,   chocolates,  etc.  Esses baleiros  vendiam   também  os   populares "cartuchos" (amendoins  com cobertura de um caldo  açucarado, colocado dentro de um funil  de  papel, ás vezes,  feito de jornal).  Não me recordo se  nesse  cinema havia  sanitário ("toilete").   Eventualmente,  se   alguém  fumava durante a sessão,  era  "solicitado" pelos proprietários  a apagar  o cigarro.  Sempre tinha algum "gaiato" para denunciar o fumante  ou  então  soltar  uma "piadinha"  durante a sessão.  As vezes, quando faltava luz na cidade  e essa   demorava a voltar, alguém  da direção vinha com uma lanterna  para  orientar  as pessoas a sairem da sala.  No meio da semana à noite, passava muito filme de  faroeste   (ver abaixo), e nos fim-de-semana,  os filmes  eram geralmente dramas ou comédias nacionais que faziam grande  sucesso. 

Nas  matinés dos domingos  o cinema ficava bem  lotado;  os guris  levavam    gibis para trocar  com  os outros. Passavam  os filmes de "bang-bang" (ou de "mocinho")   que faziam a delicia da gurizada. Eventualmente,  o cinema apresentava também  um  seriado, passando 1  ou 2  capítulos  em cada matiné. 

Os  filmes nacionais   apresentados eram em sua grande  maioria    das produtoras  Atlântida e  Vera Cruz.  Geralmente passavam nos fins-de-semana em 1 ou 2 sessões na mesma noite.   Os filmes da    Atlântida  geralmente  eram  comédias (as  chamadas populares  "chanchadas")  que  tinham    como pano de fundo , de  modo geral,  o carnaval carioca.  Já  os   filmes  da   Vera Cruz     eram  dramas   com  o melhor   elenco dos   artistas nacionais tais como Tônia Carrero, Anselmo Duarte,  Eliane Lage, Ilka Soares, Alberto Ruschell,  etc.,  dirigidos  por  profissionais  brasileiros e mesmo do exterior.

Logo da   Atlântida

        Logo da Vera Cruz        

                                                                                                                                                                                                          

Nesse prédio (de madeira)   passaram muitos bons filmes até 1954 quando o prédio foi demolido.  O Cine Labor   apresentava  filmes  das    produtoras  norte-americanas   Columbia,  Warner Brothers,  Paramount,  Universal,  20th. Century Fox, etc.  Além dessas apresentava  filmes mexicanos  distribuidos pela Pelmex,  os   italianos distribuidos pela Art  Films e Lux Films  e  franceses  distribuidos pela  França Filmes, Lux  Filmes e Fama Films.   

Faroestes   Tipo   B:  Eram filmes apresentados  no   meio de semana ou nos  matinés, pois não  eram de longa duração (entre 1 hora e 1h e 30 min). Eram os chamados  "filmes  de mocinho",   geralmente    em  preto e branco.  Desse tipo de filme,    me recordo os  do    Durango Kid,    Johnny Mack Brown,  Hopalong  Cassidy,  Allan "Rocky"  Lane. Todos eles  possuiam um um  cavalo cujo nome era conhecido, ou dos filmes, ou dos gibis. Não me recordo de ter visto filmes   do  Roy  Rogers (e o  cavalo Trigger) e  do   Gene Autry (e  Champion)  nesse cinema.  

Durango Kid  e  Raider

Rocky Lane e  Banner 

         Johnny M. Brown e Reno (Rebel)

               Hopalong Cassidy e Topper 

                                                                                  

De igual modo, passavam filmes Faroeste coloridos, em que os "bandidos", geralmente, eram os indios (os pele-vermelhas)  e os "mocinhos"  eram  os  brancos.  Depois dos indios,  os "bandidos"  passaram a ser os "mexicanos".   Do mesmo modo, passavam muitos    filmes de aventuras, os chamados de  "capa e espada"   tais como  Gavião do Deserto, Ladrão de Bagdá   bem como  os filmes de "piratas" com o  Errol  Flynn, etc.     

Em certa época  passou  tambem uma série de filmes   intitulada  Anjos da Cara Suja, em preto e branco. Eram filmes  de média duração (até 1 hora), cada filme  apresentava  uma estória diferente.  A cada semana ou  15 dias   passava um novo filme da série.  Essa série foi   produzida  a partir  do  sucesso do   filme de mesmo nome (Anjos da Cara Suja,  de 1938)  estrelado por James Cagney, Humphrey Bogard, etc.    

Evidentemente, nos matinés, acontecia  aquela "gritaria" e "batida de  sapatos no chão"  sempre  que   os mocinhos saiam no encalço dos bandidos (indios ou mexicanos) ou  os  indios eram perseguidos pela  cavalaria do exército, embalados sempre  pelo som do corneteiro.  No fim do filme era sempre a mesma história:  o mocinho ficava (ou se casava)   com a mocinha e os bandidos eram presos ou mortos. Sempre um final feliz.    Nota:   As característiscas  desses filmes  eram as seguintes:1)   a  "mocinha"    era filha  de  um dono de um rancho, um  cara "durão" que não gostava do "mocinho" e  a mãe da  "mocinha"  não aparecia no filme, dando-se   a entender que ela  era sempre  orfã ; 2) o chefe dos  "bandidos"   era geralmente o  dono de um "saloon", andava sempre bem arrumado,  com roupas boas, demonstrando ter dinheiro conseguido a base de falcatruas, seja explorando os pobres ou sendo  chefe de um quadrilha que fazia assaltos;    3) o  "mocinho"   era um cara  simples, bonitão, andava com roupas velhas e gastas, mas era honesto e  bom atirador;    4) depois que começava o tiroteio, nunca   faltava balas no revólver do "mocinho"; ele dava 20  a  30 tiros sem recarregar o revólver o que  era uma loucura   e  5) no final do filme,  o "mocinho" sempre levava a melhor, ficava  ou  casava com  a "mocinha" e os os  bandidos morriam ou eram presos. Era  um  final  feliz e todo mundo saía do cinema  satisfeito.   Havia tambem os seriados, como   o  do  Super-Homem,  Batman, etc.,  tudo em preto e branco.

Anúncio do seriado do Super-Homem em um jornal da capital. 

 

Naquele tempo,  os filmes estrangeiros   levavam cerca   de  1 a   2   anos para serem apresentados  no Brasil, depois de lançado no país de  origem,  bem diferente do que é agora .  E  os  filmes   somente    iam   para  os  cinemas  do   interior,   depois de  terminar  suas  apresentações  nos cinemas de  Porto Alegre.    Essa era a regra.  

Tem-se ainda a  relembrar  que em noite   de  ventos   fortes (naquele época, ventava muito em Osório), a sessão de cinema   era  prudentemente   cancelada  ou, se já havia iniciada,  era  suspensa,  haja vista  que se tratava   de um prédio de madeira.   Felizmente, nunca aconteceu nenhuma tragédia,   mas o barulho na estrutura de  madeira  era, por vezes, assustador durante a sessão.

Filmes  Marcantes (Os anos indicados se referem ao  da   produção do  filme): 

Do cinema  norte-americano   tivemos: Sansão e Dalila (1949)   e    Luzes da Ribalta (1952) 

Propaganda no Correio do Povo de 1952     

                             

                                                                                                           

              

Luzes  da   Ribalta

Cena final do filme Luzes da Ribalta

    

                                                                                                                       

Do Cinema   Argentino    tivemos o filme   Deus Lhe Pague (1947)  com Arturo de Cordova e Zulli Moreno que fez grande sucesso, filme  baseado em uma peça homônima  do autor teatral  brasileiro Joracy Camargo.  Na época se pensava que esse filme era mexicano, talvez  por ser estrelado pelo  Arturo de Córdova. Com base  nos   calendários dos anos 50 e do anúncio abaixo, eu presumo que esse filme deve ter passado em Osório em 10/Out/1953.   Nota:   O anúncio da esq. foi cedido   por   Laboriou  D'Avila.  

 

                                                                                                                                                                          

 

Do Cinema Mexicano: Os  grandes sucessos  foram  os  dramas  que levavam  os assistentes (principalmente as mulheres)  às lágrimas tais como   Direito de Nascer (1951) e   Anjinhos Pretos (1948). De   de igual modo  fizeram sucesso  outros   dramas  como  Acapulco (1951).   

                                                                         O Direito de Nascer           

                                                                                                                                          

Anúncio  no Correio do Povo (Out/1952

Cenas do filme Angelitos Negros

 

 

As principais atrizes  do Cinema Mexicano eram:   Maria Felix,  Libertad Lamarque, Elsa Aguirre, Ninon Sevilla  e Maria Antonieta Pons.   

Maria Felix     

 Libertad Lamarque   

Elsa Aguirre           

                                                                                                                                         

 

Ninon Sevilla   

 

Maria Antonieta Pons       

                  

 Os principais   atores   eram: Arturo de Cordova, Pedro Infante,  Jorge Negrete, Carlos Lopez Moctezuma   e  o   comediante  Mario Moreno (Cantinflas). 

Arturo de Córdova  

Pedro Infante 

 Jorge   Negrete    

                                                     

    Carlos Lopez Moctezuma      

                  Cantinflas                

                                                                                                                                                                                                                                            

Do  Cinema   Italiano,    os  filmes   geralmente eram bem mais     "apimentados", por tratarem de temas "fortes" (de   franco apelo sexual)  para a época ,  por isso  esses filmes  eram   impróprios (ou proibidos)  para menores de  18 anos  de  idade. Entre esses, temos:   Arroz Amargo (1949)  e   Amanhã Será tarde Demais (1949).   Havia uma diferença entre filmes "impróprios" e "proibidos". Nos  filmes  "impróprios", permitia-se a entrada de   jovens (entre  14  anos e 17 anos)   desde que acompanhados pelos pais  ou   familiares.  Se eram "proibidos",  não podia entrar, mesmo se estivesse  acompanhado.    

Arroz Amargo  

Anúncio  no Correio do Povo (Jul/1952) 

                                                                                                                                                                                                                                            

Passaram   na tela  do Labor  também 3    outros filmes de sucesso:  Coração Ingrato (1954)     As  Duas  Orfãs  (1942), ambos  do Cinema Italiano  e   O  Pórtico da Glória (1953)   do Cinema Espanhol porém não me recordo se esses filmes  foram  no  prédio de madeira ou   já   no  cinema  novo

Anúncio da Folha da Tarde de 1954  

As Duas  Orfãs

O Pórtico da Glória 

                                                                                                                                                                           

Filmes Nacionais:      Os  filmes nacionais   apresentados eram em sua grande  maioria    das produtoras  Atlântida e   Vera Cruz .  Haviam outras produtoras menores  tais como a  Flama.   Os filmes  produzidos  pela   Atlântida  geralmente  liberados pela censura, pois   eram  comédias  "adocicadas"  (as  chamadas "chanchadas")  que  tinham    como pano de fundo,   de  modo geral,  o carnaval  carioca.  Além dos  comediantes "malandros"    Oscarito e  Grande Otello,  os filmes contavam com  Anselmo Duarte ( o mocinho),   Cyll  Farney (o galã),   Eliana Macedo (a mocinha),  José Lewgoy ( o vilão),  ficando os numeros musicais  com Adelaide Chiozzo (atriz e  acordeonista), Ivon Cury (cantor e comediante)  e outros cantores do rádio (Emilinha Borba, etc.).  

 Neste cinema foram  apresentados, entre tantos outros,  os seguintes filmes da produtora  Atlântida em que a figura principal era o comediante   Oscarito: Carnaval no Fogo (1949), Aviso aos Navegantes (1950)   e  Carnaval Atlântida (1953). Tivemos também  da  Flama:  Agulha no Palheiro (1952) e  Tudo Azul  (1952).  Notas: 1)  Os filmes da Atlântida eram  distribuidos pela UCB (União Cinematográfica Nacional) e as  Flama pela Unida Filmes. 2) Em alguns filmes,  artistas do exterior foram convidadas para  participar das "chanchadas''.  P. ex., a   mexicana Maria Antonieta Pons  fez uma ponta em  Carnaval Atlântida (1952).  Anteriormente, a italiana  Giana Maria Canale já havia  participado do filme O  Caçula do Barulho (1949). 

 

                                  

 

Adelaide Chiozzo e Eliana cantando  "Beijinho Doce" no  filme  Aviso Aos Navegantes

 

 

   

Anúncio no Correio do Povo 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

 Outros  filmes  apresentados nesse cinema (os anos indicados são da produção do filme): 

                                   

Winchester '73 (1950)   

       Ladrão de Bagdá  (1940) 

                                    

 

O  Gavião  do Deserto (1950)      

 

 

 

 

A Montanha dos Sete Abutres (1951)  

                     

Samoa  (1950

                                                                                                                                                                                            

Situação Provisória   (Clube Comercial)

Por um periodo de  1  ano (de abril de 1955 a abril de 1956),  enquanto estava sendo construído o novo prédio  de alvenaria  do futuro Cine-Teatro Labor, seus proprietários    fizeram um acordo com a direção do  Clube Comercial e  alugaram  o  salão de baile  desse clube. A partir disso,  deslocaram os equipamentos de projeção, cadeiras, tela, etc., e  remontaram  o cinema nesse clube.  Havia   sessões  diriamente.  No livro citado (Raízes de Osório)  esse fato é explicado com riqueza de detalhes.

Entre os   filmes apresentados  nesse período, me recordo apenas  dos   seguintes:  Sinfonia Amazônica (1953)Alice no País das Maravilhas (1951) e  A Bravura de um Soldado (1953)  .

    Nota: Este foi o 1o. desenho  brasileiro

Alice no País das  Maravilhas

          A Bravura de um Soldado           

                                                 

Filme   Marcante:    Sem dúvida foi   O  Ébrio  (1946)   com Vicente Celestino.  Tratando-se de um filme um tanto antigo (1946), estranha-se  que   só   foi   passar em 1954/55  em Osório.  Teria sido uma  reprise ?  

 

                                                                                                                                                                        Cena  do filme  O   Ébrio

                                               

Cinema  Novo   (Prédio de Alvenaria):   

Em 05/Mai/1956 é inaugurado o novo Cine Labor em um prédio de alvenaria, um verdadeiro cine-teatro.   Localizado no centro  da quadra apresentava um  porte bem  majestoso  como demonstra a fotografia abaixo.  Essa foto foi  tomada entre 1957 e 1960  por  Sérgio Baptista.   Nota-se  da   foto  que ainda  nessa época predominavam  em  Osório muitas casas de  características   açorianas.

 

Essa sala  de cinema    possuía  muito  boas acomodações, incluindo-se    um mezanino  onde se colocaram  poltronas de madeira  (não estofadas)  com o assento reclinável  (2 ou 3 fileiras). O mezanino  geralmente era   ocupado por  homens e o acesso a ele   era através de uma escada  em concreto.  O   mezanino avançava   sobre  parte  da   platéia  no piso  térreo.  

 Os   casais e as mulheres  geralmente  assistiam  os  filmes  da platéia.   O assento das poltronas  era reclinável  para permitir a passagem das  pessoas para as poltronas mais  centrais. Conforme   lembrado por Aloisio Adib,  de início,  apenas  no trecho sob o mezanino,   havia   poltronas de madeira  com o  assento reclinável. O restante dos assentos  da platéia  era  composto por    cadeiras de madeira  com  assentos de palha.  Foi  somente  a partir da  apresentação do  filme A Volta  ao Mundo em Oitenta Dias (filme produzido em  1956 mas  que deve ter  sido apresentado em Osório por volta de 1958-1960)  que   as cadeiras de madeira com assento  de palha  foram substituídas por poltronas  de madeira com assento reclinável.  Havia 3 setores de poltronas, uma central e 2 laterais.  No lado  da parede esquerda,  perto do  palco,    havia   uma porta lateral  que dava acesso  aos sanitários.   

Pelo que consta,  esse cinema possuia  2 corredores laterais  que permitiam uma  rápida   saída do público  em dias de grande movimento ou  eram utilizados  como saídas  de emergência.   Frise-se  que  aos sábados  geralmente  era apresentado  um filme de grande   sucesso em duas sessões, uma às 20 e outra às 22 horas.  Geralmente a sessão  das 20 horas  lotava o cinema. Dependendo do filme, ele era reapresentado  no domingo,  também em 2 sessões.

Esta  nova    sala   possuia  um  palco elevado  em relação  ao piso das cadeiras e    sobre o palco  ficava   a  tela  que  podia   ser deslocada para  trás, em caso de necessidade.   Embaixo do palco ficava  uma ampla  sala (um porão)  onde eram preparados os cartazes  de propaganda  do filme.  Uma escadinha  lateral à esquerda do palco  comunicava este  ao porão. 

Além dos proprietários,  inicialmente   trabalharam o  "Chico do Café"  na projeção de filmes,  depois substituído pelo  "Militão".   O   "Dozo"   e  depois  o   Orlando Silva ficavam   na portaria  e  o  "Chico Bolão" na elaboração de cartazes.  A  bilheteria  era  ocupada  pela proprietária ou seus filhos.  

Nesse cinema,  passaram   filmes  das distribuidoras   já citadas anteriormente e  também da United Artists (exclusiva do Cine  Labor). Frise-se  que  no Cine   Labor novo   não tinha como padrão apresentar filmes musicais.    Geralmente seus filmes  eram comédias do cinema nacional ou do  mexicano,  dramas (ou melodramas)  e faroestes   do cinema  norte-americano ou mexicano bem como filmes épicos ou superespetáculos   vindos de   Hollywood. Nessa   época o cinema  italiano  começou a produzir dramas épicos também 

Cinemascope:      O novo cinema já era dotado  do  sistema de projeção em Cinemascope. Neste sistema o comprimento   da  tela  é  bem  maior do   que  a sua  altura (proporção de 2,55:1) . Uma lente especial (anamórfica)  colocada  em frente ao projetor proporcionava     uma    imagem  "espichada" na tela.    Abaixo  temos uma  ilustração  de como o  sistema funcionava:  à  esquerda  temos   a imagem  compactada  no fotograma (filme) e  à  direita,   a mesma  imagem   projetada na tela, depois de passar  pela  lente anamórfica.  

                                       

 

 

Dentre os filmes  nacionais  apresentados tivemos: O Petróleo é Nosso (1954),   O Golpe (1955)   e  Sinfonia Carioca (1955)

 

Já  os   filmes  da   Vera Cruz     eram   dramas  com temas nacionais    com  o melhor  que havia  de    artistas dramáticos  nacionais tais como Tônia Carrero, Anselmo Duarte,  Eliane Lage, Ilka Soares, Alberto Ruschell,  Cacilda Becker, Marisa Prado, etc.  Desse  estúdio sairam  também três  comédias  com o comediante "caipira"    Mazzaroppi.    Já os   diretores eram  profissionais  bem  conceituados no cenário cinematográfico, entre eles os  brasileiros   Lima Barreto  e  Abilio P. de Almeida   e   os  oriundos   do exterior como Tom Payne,   Luciano Salce  e  Adolfo Celi.  Entre os   filmes apresentados tivemos:  Tico-Tico no Fubá (1952),  Uma Pulga  na Balança  (1953),   O  Cangaceiro  (1953) e    Sinhá Moça (1953)  .      Nota:  Os filmes da Vera Cruz atualmente  são    distribuidos pela Columbia Pictures ou Universal Filmes.  

                                                   

 Filmes  do exterior (ou "estrangeiros" como se chamava) : )                              

Os filmes abaixo são todos   norte-americanos, embora  alguns posters estejam  em lingua  francesa,  espanhola  ou italiana:

  Salomé (1953)       

Spartacus (1960) 

A Volta ao Mundo em 80  Dias (1956)

                                                         

     Alexandre, o Grande  (1956)     

 A Ponte do Rio  Kwai (1957)

 Quanto Mais Quente Melhor (1959)    

                                                                                                                           

 

                                                                   Os Vikings  (1958)     

   

      Acorrentados (1958)  

                                                                                                                                                     

                                    Os Brutos Também Amam (1953)                                                      Trailer  do filme Os Brutos Também Amam
 

 

 

   

   

 

 

 

Fatos Pitorescos: 

Promoção de Picolés nas Matinês:   Neste cinema, em certa época  o Nilo  Martins teve um bar e   sorveteria no saguão do cinema, incluindo mesas para sentar.  Em determinado momento,  o   Nilo  fez    uma  promoção  durante   para  os   matinés.  Quem comprava  picolé  e  fosse sorteado  com o palito  marcado, ganhava ingresso grátis.  Essa promoção fez muito sucesso, pois aumentaram as vendas de picolés e  alguns felizardos  ganhavam  ingressos grátis . E  o mais  incrível de tudo,  é  que  não era  muito   difícil  encontrar  palitos  marcados.    

Som  dos  Filmes  para  a Praça:  Este cinema possuia um auto-falante  na sala de projeção  apontado  para a Praça da Conceição   que  anunciava  os filmes  e   reproduzia músicas antes das sessões.  Isso criava  um  fato inusitado, pois o Cine Central tambem possuia  um auto-falante dirigido para a praça.  Portanto, com os 2 aparelhos   ligados em volume alto,  ficava  difícil  alguém na praça   entender o que se passava, pois os sons se  misturavam.  Outro fato inusitado, era que  depois e começada a sessão, às vezes,  o  projetista  do filme esquecia    de  desligar o auto-falante  e quem estava na praça  ficava  ouvindo  o   som   e  os diálogos (geralmente em lingua estrangeira) que ocorriam no   filme.  Isso durava as vezes  por 15 -20 minutos,  até  alguém  se lembrar de desligar  o auto-falante. Este fato é lembrado na referência (7). 

Um Filme Polêmico Neste cinema,  foi  apresentado  o filme   Esquina da Vida   que tratava  de   sexualidade  de modo científico,  porém de modo   franco e real.  Era  um  filme que chocava os mais conservadores, inclusive,  mostrando,  pela 1a.  vez,  o relacionamento sexual  entre adultos  e o  nascimento (parto)  de uma criança.  Esse filme , proibido para menores de 18 anos,  teve duas sessões separadas: uma  para homens e outra para as mulheres, conforme  indica o anúncio abaixo de um cinema de Porto Alegre.  

Anúncio na Folha da Tarde  de 1954  

                                                                                                                         


  Voltar